Uma esposa tradicional e mãe norte-americana acorda, de repente, suja, com frio, num lugar que se parece com sua casa e ao lado de pessoas que dizem ser sua família, mas presa à brutal realidade de 1855 (...) Teria ela se transformado, sem saber, na estrela do próprio reality show? Viajado no tempo? Está sendo testada por Deus? Pelo Diabo? E se, de repente, Nat realmente tiver que viver a vida que sempre fingiu ter? Seja qual for o motivo, essa não é a vida perfeita pela qual ela tanto batalhou – e da qual agora precisa escapar.
em abril desse ano Bons Tempos foi lançado lá fora, agora em agosto já chegou no Brasil com os direitos comprados pela Anne Hathaway para ser produzido no cinema e também estrelado pela própria atriz, basicamente um lançamento meteórico da autora Caro Claire Burke em seu primeiro livro publicado. tudo isso (junto com a premissa da história) me fez ficar bem interessada em saber qual o motivo de tanto burburinho, e posso adiantar que foi ótimo ter seguido minha curiosidade e furado a fila de leituras que estavam em andamento.
o livro é narrado em primeira pessoa, e já adianto que Natalie (a protagonista) é um ser odiável, ao mesmo tempo que em alguns momentos consegui sentir alguma empatia pelo que ela estava sentindo. sabe o tipo de pessoa que odeia sua própria vida e coloca culpa de tudo que acontece nas pessoas ao seu redor? é mais ou menos por aí. ela odeia sua fazenda, seu marido e seus filhos, enquanto nas redes sociais simula a vida perfeita de uma mulher cristã dedicada ao lar e aos valores tradicionais. o grande ponto de virada dessa história é quando a mesma se vê de fato vivendo em 1855 e ao invés de posar mostrando sua geleia perfeita no instagram, é obrigada a lavar roupa em uma bacia com água gelada até os dedos sangrarem.
foi uma leitura bem rápida, a escrita da autora é muito fluida e a alternância entre capítulos no passado/presente me deixava sempre muito ansiosa pra saber o que aconteceria a seguir. gostei muito de ir entendendo aos poucos a personalidade da Natalie, sua criação religiosa e as mentiras que a cercaram desde pequena. o livro tem alguns furos e acho que o ápice da trama poderia ter sido melhor desenvolvido, mas ainda assim foi uma boa leitura. me fez refletir (e rir em alguns momentos) sobre o batido assunto da “vida perfeita” nas redes sociais, sobre maternidade compulsória, exposição de crianças na internet, depressão pós-parto e também sobre a posição vulnerável que mulheres ocupam dentro de uma estrutura feita apenas para beneficiar homens, e como até mesmo aquelas que intencionalmente reproduzem o machismo para serem “aceitas” acabam sendo subjugadas quando deixam de ser úteis.
fiquei alguns dias refletindo sobre Bons Tempos e sem saber o que ler em seguida, até que vi sobre o lançamento do filme de A Hipótese do Amor e peguei o último capítulo extra lançado (que está gratuito na amazon) para me atualizar. acabei finalizando a leitura depois de ter assistido o filme, mas tudo bem. foram 40 páginas vendo a perspectiva do Adam sobre seu primeiro encontro com Olive, e depois, sobre o beijo inesperado no corredor. amo como a Ali Hazelwood nos proporciona essas pequenas alegrias, nos deixando entender melhor o funcionamento da cabeça desses personagens tão queridos. infelizmente, ler esse capítulo extra agora só deixou mais evidente a diferença de personalidade entre o Adam do livro e o do filme, mas faz parte quando se trata de uma adaptação para o cinema.


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